Nesta segunda-feira (19) a goleira Camila e sua equipe irá para a base de treinamento visando a pré-temporada. Os treinos serão em dois períodos todos os dias durante duas semanas.
Já nesta semana a equipe MFK Tyumen recebe a programação dos treinos e da viagem prevista para preparação depois da pré-temporada.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Artigo - Início do futebol feminino no Brasil e a influência da mídia
Sabemos que o primeiro jogo oficial de futebol feminino no mundo se deu em Londres, em 1898, em um jogo emocionante entre Inglaterra e Escócia. Porém, no nosso caso brasileiro, existem muitas controvérsias e versões. A Revista Veja (Flores do Campo, 1996, p. 72-73) traz uma matéria afirmando que o futebol feminino teve seu início marcado por jogos organizados por diferentes boates gays no final da década de 70. Ainda nesse tema de início do futebol feminino no país, o Jornal O Estado de SP (1996, p.5) revela que o futebol feminino esteve relacionado a peladas de rua e a jogos beneficentes. E por fim, segundo Clério Borges, a primeira partida de futebol feminino foi realizada em 1921, em São Paulo, onde enfrentaram-se os times das senhoritas catarinenses e tremembeenses. Contudo, em 1964, o Conselho Nacional de Desportos - CND proibiu a prática do futebol feminino no Brasil.
A institucionalização do futebol feminino começou em meados da década de 80. Salles et al. (1996) afirmam que no Rio de Janeiro constam informações que a primeira liga de futebol feminino do Estado do Rio de Janeiro foi fundada em 1981, e que muitos campeonatos que se seguiram eram patrocinados por diferentes empresas. Ainda segundo o mesmo jornal (1996), foi a partir de 1980 que o futebol feminino começou a se popularizar mundialmente. O time carioca Radar colecionou títulos nacionais e internacionais. Em 1982, conquistou o Women's Cup of Spain, derrotando seleções da Espanha, Portugal e França. A vitória estimulou o nascimento de novos times e, em 1987, a CBF já havia cadastrado 2 mil clubes e 40 mil jogadoras. No ano seguinte, o Rio de Janeiro organizou o Campeonato Estadual e a primeira seleção nacional conquistou o terceiro lugar no inédito Mundial da China. O ano de 1988 marcou também o início da decadência do Radar e, com ele, do futebol feminino do Brasil.
A mulher no esporte em geral, é lembrada não por seu desempenho ou conquista, mas pela sua beleza e sexualidade frente ao que a mídia retrata, "o jogo bonito de se ver" não está relacionado ao jogo em si, nem ao aspecto estético das belas jogadas, mas às pernas das jogadoras, às "sainhas e bermudas", enfim, associado a imagem veiculada e vendida pela indústria cultural, determinando padrão de beleza feminina, que confunde a estética do jogo com a estética do corpo ( BRUHNS, 2000).
Contribuindo com estas situações, a mídia esportiva pouco espaço confere ao futebol feminino e quando o faz, geralmente, menciona não tanto os talentos esportivos das atletas, árbitras ou treinadoras mas a sua imagem e o seu comportamento. Lembro-me que no dia 11 de maio de 2005, o Jornal Bahia meio Dia falava sobre a auxiliar de arbitragem Ana Paula de Oliveira cuja competência vem sendo destacada pelos pares. Com uma matéria intitulada: Uma celebridade do apito. A matéria evidenciava os atributos físicos da árbitra em campo. Onde num encontro do Esporte, realizado na cidade de Porto Alegre, ela foi bastante assediada pelos participantes. Um dos jornalistas relatava: “o fato é que, de um jeito ou e outro, todos queriam ver a bandeirinha de perto sem trajes sociais. Nas mesas, os homens discutiam se ela ficava melhor de cabelo preso e rabo-de-cavalo, como nos gramados, ou de madeixas soltas, como ontem”.
A profissionalização no Brasil é acentuadamente difícil, visto que não há uma entidade forte que organize o futebol feminino e também não há investimento público nem privado (SUGIMOTO, 2003). Nos EUA, o futebol é visto como esporte feminino, enquanto que em 1994 foi o vice-presidente quem entregou a Taça ao capitão da seleção brasileira, Dunga, e em 1996 foi o próprio Bill Clinton quem entregou a Taça pelo mesmo evento, porém feminino. O que não significa que a mulher é bem mais reconhecida lá do que é aqui nos esportes, frente que a mesma não tem vez no futebol americano e no beisebol, dois dos esportes mais difundidos nos EUA (SUGIMOTO, 2003).
Segundo Eriberto Lessa Moura, atualmente para as mulheres brasileiras sua participação ultrapassa o entendimento de que as mesmas tenham apenas um papel de relevância secundária, sendo coadjuvantes, como a mãe que lava os uniformes dos meninos, a irmã que limpa as chuteiras, a namorada que prepara os canapés e serve as bebidas, etc. Elas agora se afirmam tendo um papel sócio-esportivo no mesmo nível dos homens brasileiros. Não igual, pois o direito à diferença articula um caminho para uma convivência mais saudável entre os sexos e para a construção de um gênero humano que se componha como uma unidade na diversidade.
Considerações finais
Enfim, em se tratando de um país como o Brasil, onde o futebol é discursivamente incorporado à identidade nacional, torna-se necessário pensar, o quanto este ainda é, para as mulheres, um espaço não apenas a conquistar, mas, sobretudo, a ressignificar alguns dos sentidos que a ele estão incorporados de forma a afirmar que esse espaço é também seu. Um espaço de sociabilidade e de exercício de liberdades.
O fruto que conhecemos desse processo de novas conquistas e descobertas é a criação da versão feminina da Copa do Mundo, que demonstra a organização e institucionalização da modalidade. Os países onde mais se nota o crescimento da versão feminina são China e Estados Unidos. Já no Brasil, país cinco vezes campeão mundial e referência em termos futebolísticos, a mulher ainda busca afirmação dentro das quatro linhas do gramado.
A institucionalização do futebol feminino começou em meados da década de 80. Salles et al. (1996) afirmam que no Rio de Janeiro constam informações que a primeira liga de futebol feminino do Estado do Rio de Janeiro foi fundada em 1981, e que muitos campeonatos que se seguiram eram patrocinados por diferentes empresas. Ainda segundo o mesmo jornal (1996), foi a partir de 1980 que o futebol feminino começou a se popularizar mundialmente. O time carioca Radar colecionou títulos nacionais e internacionais. Em 1982, conquistou o Women's Cup of Spain, derrotando seleções da Espanha, Portugal e França. A vitória estimulou o nascimento de novos times e, em 1987, a CBF já havia cadastrado 2 mil clubes e 40 mil jogadoras. No ano seguinte, o Rio de Janeiro organizou o Campeonato Estadual e a primeira seleção nacional conquistou o terceiro lugar no inédito Mundial da China. O ano de 1988 marcou também o início da decadência do Radar e, com ele, do futebol feminino do Brasil.
A mulher no esporte em geral, é lembrada não por seu desempenho ou conquista, mas pela sua beleza e sexualidade frente ao que a mídia retrata, "o jogo bonito de se ver" não está relacionado ao jogo em si, nem ao aspecto estético das belas jogadas, mas às pernas das jogadoras, às "sainhas e bermudas", enfim, associado a imagem veiculada e vendida pela indústria cultural, determinando padrão de beleza feminina, que confunde a estética do jogo com a estética do corpo ( BRUHNS, 2000).
Contribuindo com estas situações, a mídia esportiva pouco espaço confere ao futebol feminino e quando o faz, geralmente, menciona não tanto os talentos esportivos das atletas, árbitras ou treinadoras mas a sua imagem e o seu comportamento. Lembro-me que no dia 11 de maio de 2005, o Jornal Bahia meio Dia falava sobre a auxiliar de arbitragem Ana Paula de Oliveira cuja competência vem sendo destacada pelos pares. Com uma matéria intitulada: Uma celebridade do apito. A matéria evidenciava os atributos físicos da árbitra em campo. Onde num encontro do Esporte, realizado na cidade de Porto Alegre, ela foi bastante assediada pelos participantes. Um dos jornalistas relatava: “o fato é que, de um jeito ou e outro, todos queriam ver a bandeirinha de perto sem trajes sociais. Nas mesas, os homens discutiam se ela ficava melhor de cabelo preso e rabo-de-cavalo, como nos gramados, ou de madeixas soltas, como ontem”.
A profissionalização no Brasil é acentuadamente difícil, visto que não há uma entidade forte que organize o futebol feminino e também não há investimento público nem privado (SUGIMOTO, 2003). Nos EUA, o futebol é visto como esporte feminino, enquanto que em 1994 foi o vice-presidente quem entregou a Taça ao capitão da seleção brasileira, Dunga, e em 1996 foi o próprio Bill Clinton quem entregou a Taça pelo mesmo evento, porém feminino. O que não significa que a mulher é bem mais reconhecida lá do que é aqui nos esportes, frente que a mesma não tem vez no futebol americano e no beisebol, dois dos esportes mais difundidos nos EUA (SUGIMOTO, 2003).
Segundo Eriberto Lessa Moura, atualmente para as mulheres brasileiras sua participação ultrapassa o entendimento de que as mesmas tenham apenas um papel de relevância secundária, sendo coadjuvantes, como a mãe que lava os uniformes dos meninos, a irmã que limpa as chuteiras, a namorada que prepara os canapés e serve as bebidas, etc. Elas agora se afirmam tendo um papel sócio-esportivo no mesmo nível dos homens brasileiros. Não igual, pois o direito à diferença articula um caminho para uma convivência mais saudável entre os sexos e para a construção de um gênero humano que se componha como uma unidade na diversidade.
Considerações finais
Enfim, em se tratando de um país como o Brasil, onde o futebol é discursivamente incorporado à identidade nacional, torna-se necessário pensar, o quanto este ainda é, para as mulheres, um espaço não apenas a conquistar, mas, sobretudo, a ressignificar alguns dos sentidos que a ele estão incorporados de forma a afirmar que esse espaço é também seu. Um espaço de sociabilidade e de exercício de liberdades.
O fruto que conhecemos desse processo de novas conquistas e descobertas é a criação da versão feminina da Copa do Mundo, que demonstra a organização e institucionalização da modalidade. Os países onde mais se nota o crescimento da versão feminina são China e Estados Unidos. Já no Brasil, país cinco vezes campeão mundial e referência em termos futebolísticos, a mulher ainda busca afirmação dentro das quatro linhas do gramado.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Brasileiras no esporte pelo mundo: Goleira Camila hoje defende o Tyumen da Russia
O Futsal Russo se encontra em um momento de crescimento e evolução, tanto no masculino como no feminino. Prova disso é a importação de mão de obra brasileira da equipe do MFK Tyumen, onde a equipe fez para a temporada de 2012/2013 duas contratações brasileiras. Uma delas é a goleira Camila que aos 22 anos coleciona títulos e boas passagens em equipes como Palmeiras e Jacareí Futsal.
Nascida em Sorocaba, Camila Jenifer de Mattos tem 22 anos e hoje atua na equipe do MFK Tyumen da Rússia. No dia 22 de agosto a goleira desembarcou na cidade de Tyumen na região da Sibéria a convite do atual goleiro brasileiro Greuto que atualmente é o arqueiro da equipe masculina do MFK Tyumen.
A goleira Camila conta, ainda, com a companhia da jogadora brasileira que recentemente estava na equipe de Pindamonhangaba a Rafa Pato que, também, vai atuar na equipe esta temporada. Rafa teve passagem pelo Buzzo sports de São José e logo foi para a Suíça onde lesionou o joelho. Mas este ano defendeu a equipe do Vale do Paraíba e partiu para o futsal Russo após a participação na Liga Futsal feminina, onde a equipe não se classificou para a próxima fase.
A arqueira do Tyumen nos concedeu este bate papo e contou um pouco sobre sua nova experiência:
Marcia Gomes: Como surgiu a oportunidade de atuar na Russia.
Camila: A oportunidade de atuar na Russia surgiu ataravés do goleiro Greuto que atua no time masculino do MFK Tyumen que hoje é meu atual clube, os dirigentes do clube decidiram montar uma equipe femininapara disputar a temporada russa de 2012/2013 e pediram para o Greuto indicar uma goleira brasileira. Foi aí que ele entrou em contato com meu ex-técnico Walmir de Souza que me indicou para logo começarmos as negociações.
Marcia Gomes: E qual a diferença do futsal da Rússia em relação ao Brasil?
Camila: Em relação ao nível do futsal na Rússia, sei que é um pouco abaixo em relação ao Brasil, mas estão evoluindo e muito. A estrutura aqui nem se compara a do Brasil. Aqui eles dão muito valor para os atletas brasileiros e temos de tudo, desde moradia, alimentação, complexo esportivo a nossa disposição, transporte, enfim, toda a estrutura necessária para um bom trabalho.
Marcia Gomes: Já fez a sua estreia? A equipe está entrosada?
Camila: Até agora fizemos dois amistosos e nossa equipe se mostrou bem entrosada, pronta para estrear no campeonato.
Marcia Gomes: Como são os campeonatos e quais os campeonatos?
Camila: Vamos disputar três campeonatos ao longo da temporada: um deles já começa agora dia 9 de outubro que é a Liga Russa, também vamos jogar a Copa da Rússia. A forma de disputa da Liga Rússia será da seguinte forma: jogaremos dois dias seguidos contra a mesma equipe, assim será nos jogos de ida e nos jogos de volta, ou seja, jogaremos quatro jogos contra cada equipe da Liga Russa, vence o time que pontuar mais no decorrer do campeonato.
Marcia Gomes: Já aprendeu a falar Russo?
Camila: Já estou aqui faz um mês e meio e já aprendi a me comunicar, consigo conversar e orientar as meninas, mas é claro que falo tudo enrolado ainda, temos um tradutor que fica com agente durante os treinos e os jogos ai fica mais fácil pra assimilar oque estão falando e também por sermos brasileiras eles nos ajudam bastante.
Marcia Gomes: Do que mais sente saudade do Brasil. Quando você foi pra Rússia?
Camila: Sinto muita falta dos meus pais e dos meus irmãos, sempre fui muito ligada a eles, mesmo morando longe da minha cidade natal nunca fiquei um mês sem ir para casa, então bate forte a saudades às vezes e também sinto falta dos meus amigos de infância que sempre estiveram comigo.
O Futsal Russo
O futsal na Rússia é operado pela AMFR - Assossiação mundial de futsal - que foi fundada em 1993 e segue as regras da UEFA. O campeonato russo de futsal conta com apenas seis equipes e seu maior campeão é a equipe do Laguna Penza que conquistou o título nacional da temporada 2010/2011 e que também venceu a temporada 2011/2012. Na temporada 2012/2013 a competição contará com 6 equipes na categoria master, na qual a equipe do Tyumen faz parte.
Desejo todo sucesso e sorte para a Camila e para a Rafa Pato nesta nova caminhada e que se abram portas e oportunidades para o Brasil mostrar seu melhor futsal mundo a fora.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
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